
Quase 25 voluntários trabalham diariamente para dar conta da produção. De acordo com a coordenadora da Casa da Festa, Marcia Andere, o doce de abóbora é o mais pedido na quermesse. ‘Abelhinhas’ produzem doces para a Festa do Divino de Mogi das Cruzes
As “abelhinhas” , como são conhecidas as voluntárias que preparam os doces da Festa do Divino em Mogi das Cruzes, trabalham a todo vapor no preparo das delícias servidas na quermesse. Elas integram uma equipe de 25 voluntários que produzem doces, como abóbora, laranja e mamão verde. A meta para este ano é produzir 70 latões de doces com aproximadamente 35 quilos em cada.
A Festa do Divino de Mogi das Cruzes de 2025 começa nesta quinta-feira (29) e vai até 8 de junho. O tema da festa é “Divino Espírito Santo e São Francisco, nosso irmão! Ensinai-nos a contemplar o esplendor da criação”.
O evento deste ano é comandado pelo festeiro João Pedro Mota e pelos capitães-de-mastro Lizandro Leonardo da Silva Corrêa e Patrícia Aparecida do Espírito Santo Corrêa.
✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp
As “abelhinhas” e os “zangões” preparam em um fogão a lenha os doces de abóbora, laranja, mamão verde e batata-doce. A produção começa cerca de 25 dias antes do início da festa. Depois de prontos, eles ficam armazenados em uma câmara fria para aumentar a validade.
Já o arroz-doce e o sagu como possuem pouca durabilidade são preparados durante a quermesse.
De acordo com a coordenadora da Casa da Festa, Marcia Andere, o doce de abóbora é sempre o mais pedido. Os voluntários já produziram cerca de 525 quilos do doce. Ele é conservado por uma fina camada de açúcar cristal e guardado na câmara fria.
“Dependendo da qualidade da abóbora, a gente faz um cálculo para ter pelo menos 35 latões, cerca de 3 toneladas de abóbora bruta. Depende da qualidade de abóbora, o quanto vai sair de doce”, explicou.
Já a responsável pelos doces, Maria de Macedo Prado Rodrigues, a Cidinha como é conhecida, explica que para três dias de produção de doce de abóbora são usados 700 quilos.
“Chega a abóbora, as meninas cortam, limpam a abóbora. Daí, vem para o tacho e vai cozinhar. Quando ela tiver quase dissolvida, sair os pedaços, daí é muque, não pode parar de mexer, senão queima mesmo. Quando queima, não tem jeito […] Quando ela está dissolvendo, coloca açúcar e canela”, detalhou Cidinha.
Marcia contou que são os organizadores da festa que compram as abóboras para a produção do doce e os demais ingredientes utilizados na preparação das receitas. Já a laranja e o mamão são doados.
Doce de mamão, abóbora e laranja já começaram a ser feitos
Mariana Queiroz/g1 Mogi das Cruzes e Suzano
Leia mais
Solidariedade ajuda a manter a tradição dos doces da Festa do Divino de Mogi das Cruzes
Em segundo lugar, o doce mais procurado é o de laranja. Esse é o doce que dá mais trabalho, segundo as “abelhinhas”.
Primeiro, elas descascam a fruta, retirando toda a parte branca. Depois, deixam a casca de molho em uma bacia com água por sete dias, trocando a água diariamente. No fim deste período, elas adicionam a casca da laranja à calda feita com água, canela, cravo e açúcar.
Márcia destaca a dificuldade de conseguir o tipo de laranja específico para fazer o doce, pois muitos produtores não cultivam mais essa qualidade da fruta.
Ela relatou ainda que quando a Festa do Divino acontece no começo de maio é mais complicado encontrar a fruta, pois não é época de safra. Diferente quando o evento ocorre em junho, mês em que já há mais laranja disponível.
“Há os aficionados de laranja, há um público que vai na festa só atrás do doce de laranja. Não é um doce muito conhecido pelo grande público da festa, até por essa dificuldade e tudo mais”, contou Marcia.
Abelha rainha
Responsável há 37 anos por todas as receitas dos doces que fazem parte da quermesse do Divino, Cidinha começou como ajudante de dona Pedra, que por 54 anos organizou os doces. Após o falecimento de Pedra Fernandes, Cidinha herdou a função.
“No começo, eu vinha só um pouquinho, porque as [minhas] crianças eram pequenas, então minha mãe já trabalhava. Aí eu vinha, aí com 37 anos, eu peguei firme. Porque daí eu vinha trabalhar com a dona Pedra e a dona Pedra: ‘você tem que ficar no meu lugar, porque eu não aguento mais abaixar, você tem jeitinho com doce’’’, relembrou.
Cidinha relatou que as receitas dos doces existem há mais de 50 anos, mas com o passar dos anos cada um foi contribuindo um pouco.
“Ela fazia diferente um pouquinho de mim, mas eu achei que do jeito que eu iria fazer ia ficar mais fácil. Depois os outros vão chegando, falando, vão dando ideia, e a gente vai pegando e melhorando o jeito de fazer, de guardar”.
Para Cidinha, ser voluntária da Festa do Divino é uma forma de gratidão.
“Eu recebo muitas graças. Todo ano a gente quer estar junto, trabalhar juntos. Eu sou muito grata ao Divino. […] aqui eu converso, aqui eu rezo, parece que vai embora aliviado, leve, é uma devoção que a gente tem, não só na festa, mas durante o ano também a gente vem”.
Cidinha está à frente dos doces há 37 anos
Mariana Queiroz/g1 Mogi das Cruzes e Suzano
Abelhinhas e zangões
Desde 2006, a aposentada Ivone da Silva ajuda na preparação dos doces. Ela entrou no grupo convidada por uma amiga. Depois que o marido se aposentou, ela o levou para ajudar na produção.
“Todos {os doces] dão trabalho, mas a gente faz com tanto amor, tanto carinho que a gente nem sente. Nossa devoção, as graças que recebemos, […] a gente vem aqui fazer esse serviço, deixamos tudo na nossa casa, pra vir se dedicar nesse mês com muito amor e carinho”, confessou.
A vontade de ajudar motivou a professora aposentada Clarisse Eleotério a se tornar “abelhinha”. Para ela, a fé que tem no Divino Espírito Santo move para a bondade e doar o seu tempo para ajudar.
“Quando eu aposentei, já tinha prometido que iria trabalhar presencialmente aqui, porque eu sozinha não consigo ajudar um monte entidade que tem que eu gostaria, mas com o meu trabalho eu posso contribuir e ajudar várias comunidades”, explicou.
Clarisse e Ivone são ‘abelhinhas’ há quase 20 anos
Mariana Queiroz/g1 Mogi das Cruzes e Suzano
Este é o primeiro ano que o ajudante geral, Cristiano Elias da Silva ajuda na produção das receitas. É ele quem mexe os doces no tacho. Apesar de ainda novo como “zangão”, o Divino está presente na sua família há tempos.
“Meus avós sempre frequentaram a festa e surgiu a oportunidade e não desperdicei. Eu particularmente gosto, é uma terapia, é muito bom. Pra mim, é gratificante estar ajudando na Festa do Divino, ainda mais que minha família é devota”, contou.
Este é o primeiro ano que Silva ajuda na produção dos doces do Divino
Mariana Queiroz/g1 Mogi das Cruzes e Suzano
Produção de doces da Festa do Divino já começou
Veja tudo sobre o Alto Tietê