
Por que as pessoas estão deixando Salvador? Qualidade de vida e oportunidades influenciam na escolha
Rovena Rosa/Agência Brasil
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na quinta-feira (28), que quase 5 mil pessoas deixaram de morar em Salvador entre 2024 e 2025. Especialistas apontam que parte dessa população se mudou para as cidades da Região Metropolitana (RMS), em busca de mais qualidade de vida e oportunidades.
Salvador teve o pior índice de evasão entre as capitais brasileiras e os números atuais reforçam a manutenção da queda populacional na cidade registrada desde o Censo de 2022.
Como destaca Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE, a capital baiana vem registrando baixas taxas de natalidade, mas é a busca por mais qualidade de vida o fator essencial na queda da população.
Embora o órgão não especifique as razões para o êxodo, a migração de saída da capital pode ser observada através dos dados das cidades da RMS, onde o crescimento chama atenção.
“Cidades como Lauro de Freitas e Camaçari crescem muito, tem um crescimento populacional expressivo e um [número] grande de migrantes recentes. Ou seja, em até cinco anos antes do Censo […], então é bastante provável que parte dessas pessoas venham de Salvador”, estima Mariana.
Na análise de Ordep Serra, doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP) e titular da cadeira 27 da Academia de Letras da Bahia (ABL), o investimento desordenado em turismo e a falta de investimento em melhorias urbanas podem influenciar na migração.
Para ele, a densidade demográfica da cidade, que se mantém no posto de mais populosa da Bahia, aliada à baixa qualidade de vida constroem um cenário para que as pessoas se mudem.
Mariana Viveiros corrobora a opinião do pesquisador e acrescenta que questões ligadas à segurança pública e mobilidade também podem levar à saída da capital.
“As pessoas, via de regra, migram buscando o que elas consideram melhores condições de vida para elas. A gente sempre teve migrações motivadas por oportunidades de trabalho e renda […], só que a questão de qualidade de vida ganha outros contornos atualmente, que envolvem segurança pública, mobilidade urbana, estrutura da cidade em termos de lazer e cultura, a qualidade urbanística nas cidades… Tudo isso acaba entrando”, analisa
Censo 2022: Bahia é o estado que mais perdeu população por migração ao longo do tempo
Outras cidades também registraram queda expressiva da população
Segundo o IBGE, depois da capital baiana, as quedas populacionais mais expressivas, em termos absolutos, na Bahia, foram verificadas em Itabuna e Camacan, ambas no sul do estado.
Apesar da redução, Salvador segue como o quinto município mais populoso do Brasil. Em todo o país, 37,3% dos municípios (2.079 de 5.571) tiveram quedas populacionais.
Puxada pela capital, a Região Metropolitana de Salvador foi a única dentre as que têm mais de 1 milhão de habitantes a registrar variação negativa na população. A população da RMS teve variação negativa de -0,01%, o que correspondeu a menos 317 pessoas, chegando a 3.623.330 habitantes.
Dos 12 municípios, três registraram quedas de população, de um ano para o outro:
Candeias (-0,3% ou menos 229 pessoas, chegando a 7.4854 habitantes);
Pojuca (-0,1% ou menos 35 pessoas, indo a 3.3573 habitantes);
Itaparica (-0,1%, ou menos 16 pessoas, chegando a 20.353).
Entre as cidades que tiveram aumentos populacionais, Lauro de Freitas registrou a maior taxa de crescimento (0,7%, ou mais 1.604 pessoas, chegando a 219.564 habitantes), seguida bem de perto por Camaçari (0,7%, mais 2.242 pessoas) e Vera Cruz (0,5%, mais 213 pessoas, indo a 45.191 moradores).
Lauro de Freitas registrou a maior taxa de crescimento da RMS
Prefeitura de Lauro de Freitas
Bahia: 5º estado que mais perdeu população
Os dados apontam ainda que a Bahia foi o estado com o quinto maior percentual de municípios com redução de população entre 2024 e 2025 (44,1%), abaixo de Alagoas (55,9%), Rondônia (51,6%), Rio Grande do Sul (50,5%) e Tocantins (48,9%).
Segundo as Estimativas da População, metade dos moradores da Bahia — 50,2% ou 7,5 milhões de pessoas — morava em apenas 8,2% dos municípios do estado ou 34 das 417 cidades.
Só as 10 cidades mais populosas, que continuaram as mesmas de 2024, concentravam 1 em cada 3 habitantes do estado (34,7% da população ou 5,2 milhões de pessoas).
Os dez municípios com maiores taxas de crescimento
Feira de Santana, Vitória da Conquista e Camaçari
Em números absolutos, municípios que já são mais populosos mostraram os maiores avanços. Feira de Santana, a 100 km de Salvador, liderou com mais 2.858 pessoas em um ano, chegando a 660.806 habitantes, segundo maior contingente da Bahia.
Em seguida, veio Vitória da Conquista, no sudoeste do estado, com mais 2.589 pessoas, indo a 396.613 moradores, terceira maior população da Bahia.
Camaçari, na região metropolitana da capital baiana, ficou com o 3º maior crescimento absoluto, mais 2.242 habitantes, +0,7%, chegando a 321.636, quarta maior população do estado.
Feira de Santana chegou a 660.806 habitantes, 2º maior contingente da Bahia
Reprodução/TV Subaé
Cidades com mais de 500 mil habitantes
Em julho de 2025, a Bahia mantinha apenas dois municípios com mais de 500 mil habitantes: Salvador e Feira de Santana. Os dados apontam ainda que 16 cidades (3,8% dos 417) tinham entre 100 mil e 500 mil moradores. Confira a distribuição:
28 municípios (6,7%) tinham entre 50 mil e 100 mil habitantes;
119 (28,5%) tinham entre 20 mil e 50 mil moradores;
82 (43,6%) tinham entre 10 mil e 20 mil habitantes;
70 (16,8%) tinham menos de 10 mil moradores.
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