
Saúde em Dia: conscientização contra a obesidade infantil
O excesso de peso entre crianças menores de cinco anos caiu em Minas Gerais, mas aumentou na faixa etária dos 10 aos 19, seguindo uma tendência nacional. É o que mostra um levantamento da organização ImpulsoGov, com base em dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do SUS (Sisvan) de 2014 a 2024.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que o sobrepeso ou a obesidade nos anos iniciais da vida adulta podem aumentar o risco de doenças cardíacas, diabete e Acidente Vascular Cerebral (AVC) — algumas das principais causas de mortes no Brasil (leia mais abaixo).
O estudo também analisou a desnutrição infantil e o comportamento alimentar das crianças e adolescentes no país.
Situação em Minas Gerais
📉 Entre os pequenos que moram no estado, o percentual de excesso de peso passou de 16% em 2014 para 12% em 2024. A queda acompanha a tendência nacional e representa uma melhora nos indicadores de saúde infantil.
📈 No entanto, na faixa etária de 10 a 19 anos, o número cresceu: passou de 23% para 31% no mesmo período. Isso significa que quase um a cada três jovens mineiros está acima do peso.
🏙️ Belo Horizonte aparece entre as capitais com maior índice. Na cidade, o percentual de adolescentes com excesso de peso chegou a 35,9% em 2024, quando foram registrados 5.636 jovens com sobrepeso ou obesidade.
O raio-x do Brasil
Os dados revelam um problema presente de Norte a Sul do país. Apesar disso, há regiões mais afetadas que outras.
A Região Sul é a que teve a maior porcentagem de crianças e adolescentes dentro do grupo de idade com algum tipo de sobrepeso em 2024: 37%.
A região Norte é a que tem o menor índice, com 27% da população entre 10 e 19 anos com algum tipo de sobrepeso.
Quando analisados os estados, as maiores altas aconteceram no Ceará, onde o número de crianças e adolescentes com sobrepeso aumentou 12%, seguido por Rondônia, com alta de 11%, e Rio Grande do Norte com 10%.
O único estado em que não houve aumento foi Roraima, que reduziu 1% o índice em comparação com 2014.
Infográfico – Raio-x da obesidade infantil no Brasil
Arte/g1
Entre as capitais, o maior índice está em São Paulo, que tem mais de 76 mil jovens em condição de sobrepeso — seguida por Rio de Janeiro, com 64 mil e Manaus, com 43 mil.
‘Hábitos preocupantes’
O estudo apontou que 81% dos adolescentes consomem alimentos ultraprocessados com frequência no Brasil. Além disso, 61% fazem refeições em frente à televisão ou celular. O sedentarismo também é um fator: mais da metade dos jovens passa mais de três horas por dia em frente a telas.
Segundo especialistas, os números revelam hábitos preocupantes que contribuem para o aumento do excesso de peso e exigem atenção de políticas públicas e das famílias.
“Esse cenário reflete mudanças importantes nos hábitos alimentares, sedentarismo e também desigualdades regionais. A dimensão do problema, além de relacionar-se diretamente com a saúde pública, também é econômica e social: sobrecarrega o sistema de saúde, aumenta custos futuros com doenças crônicas e compromete a qualidade de vida dessa população”, explica a sanitarista Fernanda Soares.
“A gente tem mais oferta de ultraprocessados. Os alimentos ultra calóricos estão super acessíveis para as crianças e adolescentes em casa. O reflexo disso é uma infância e adolescência com sobrepeso. A obesidade está ligada às doenças que mais matam. Estamos vendo essas doenças aparecerem cada vez mais cedo e isso é grave para a geração futura, para o que vamos ter de futuro no país e até mesmo para o nosso sistema de saúde”, afirma a médica endocrinologista Maria Fernanda Barca, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso).