
A sala de sessões da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) passa por obras nesta sexta-feira (29) antes do julgamento da trama golpista, a ser iniciado na próxima terça-feira (2).
A sala da Primeira Turma é onde ocorrerá o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de sete de seus ex-auxiliares.
Eles são réus por — segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR) — terem formado uma organização criminosa que tentou manter Bolsonaro no poder e impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o que a TV Globo apurou, a intervenção na sala da Primeira Turma deveria ter ocorrido em julho, mas não foi possível. O objetivo é colocar duas novas câmeras e trocar outras quatro de lugar. A reforma já estava prevista e não tem ligação com o julgamento, segundo o STF.
A previsão é que a obra seja concluída na segunda (1º) — um dia antes do início do julgamento.
Plenário da Primeira Turma do STF passa por reforma antes do julgamento da trama golpista.
Gioconda Brasil/TV Globo
Na ocasião do julgamento, 501 jornalistas de diversos veículos de imprensa serão recebidos. Outras 3.357 pessoas do público, que se inscreveram, devem acompanhar alguma das sessões do julgamento.
São previstas sessões nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, quando sairão as sentenças.
Na Primeira Turma, 80 cadeiras estarão disponíveis para os jornalistas por ordem de chegada. O público inscrito, por sua vez, será acomodado no plenário da Segunda Turma do Supremo, onde foram disponibilizados 150 lugares para esses inscritos.
Os ministros que compõem a Primeira Turma são: Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin (presidente), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.
Na fase de interrogatório, ocorrida em junho, os réus negaram qualquer ação golpista ou com objetivo de impedir a posse do presidente Lula. Afirmaram que não houve movimentação concreta para um golpe de Estado e que a denúncia da PGR é injusta.
Plenário da Primeira Turma do STF passa por reforma antes do julgamento da trama golpista.
Gioconda Brasil/TV Globo
Reforço na segurança
O STF também terá reforço na segurança desde o início da semana. Além do julgamento, outro evento considerado fonte de tensão é o dia de 7 de setembro, feriado da Independência do Brasil, que cai no domingo.
Por motivos de estratégia, nem o STF, nem a polícia detalham quantos agentes foram destacados. Mas o tribunal afirma que será um policiamento ostensivo.
Na segunda (1º), a Polícia Militar do Distrito Federal vai fechar a praça dos Três Poderes, onde ficam, além do STF, o Congresso e o Palácio do Planalto.
Na terça, primeiro dia do julgamento, haverá presença da tropa de choque da PM, do Bope e do Comando de Operações Táticas. Será feita nas imediações uma varredura com os cachorros treinados da polícia.
Além de policiais militares, a segurança será feita também com policiais judiciais, de tribunais de Brasília e também de outros estados.
O STF informou que manterá contato direto com a Secretaria de Segurança do DF e que os acessos ao prédio só serão permitidos após inspeção com detector de metais.
Clima político
Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por, segundo Moraes, tentar coagir os ministros e instituições responsáveis pelo processo, ainda não informou se vai comparecer presencialmente ao julgamento.
Seu principal adversário político, o presidente Lula, afirmou nesta semana que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Bolsonaro, comete traição à pátria ao estimular, nos Estados Unidos, retaliações do governo daquele país ao Brasil em razão do julgamento.
O presidente norte-americano, Donald Trump, quando anunciou um tarifaço de 50% a produtos brasileiros, ligou essa decisão ao julgamento de Bolsonaro que, segundo Trump, é uma “caça às bruxas”. Trump é aliado de Bolsonaro.
Além do tarifaço, o governo dos EUA aplicou sanções ao ministro Moraes e a outros integrantes da Corte. Lula tem dito que o Brasil não negocia sua soberania.
Nesta quinta, a revista The Economist, uma das mais influentes do mundo, apresentou na manchete uma reportagem que diz que o Brasil, ao julgar a tentativa de golpe, está dando uma lição aos Estados Unidos.
A capa faz uma montagem de Jair Bolsonaro com a mesma vestimenta de um dos manifestantes que, em 6 de janeiro de 2020, invadiram o Congresso dos EUA para impedir a posse de Joe Biden, que sucedeu Trump no poder.